Há uns anos, aqui na vila, ainda em tempo de escudos, as chamadas lojas dos 150 e dos 300 mataram o comércio tradicional.
Mas o sucesso foi sol de pouca dura.
Chegou entretanto um "El Corte Chinês", instalou-se numa loja falida, rebentou com as lojas dos 300, alargou as suas instalações, e é hoje uma superfície considerável de quinquilharia e pronto-a-vestir e ferramentas e tudo e tudo, tudo balato, muito balato.
A última vítima deste retumbante sucesso asiático fechou há uns meses, e era a maior das lojas dos 300, situada na rua principal, quase quase em frente à megastore do balão vermelho.
A defunta loja ocupava um grande espaço comercial do centro urbano. Agora, está fechada.
O mais previsível é vir a ser outra loja de chineses, não é?
Porquê? Porque, com certeza, com a crise não há português que arrisque abrir um negócio numa terra destas, não é?
Pois... Mas o problema não é esse...
A loja está fechada e continuará fechada, de certeza absoluta, mas podia estar aberta, porque está alugada ao chinês da outra loja, que se apressou a tomar conta do espaço, antes que outro chinês se viesse apoderar dele, e fazer-lhe concorrência, a ele, GrandeTimoneiro Livre de Impostos e único usufrutuário local do extraordinário e vantajoso acordo que a União Europeia estabeleceu com a China e que tanto tem contribuído para o desenvolvimento do comércio nacional...
Assim, o nosso perspicaz negociante mantém fechado um dos maiores espaços comerciais da vila, que lhe serve "apenas" de arrecadação e armazém, já que abri-lo ao público implicaria despesas e contratação de pessoal, e ele não está para isso, não precisa disso, porque lhe basta a loja que tem para expor tudo o que tem para vender sem mais despesas.
Estas coisas fazem-me confusão, e deixam-me a assobiar à roupa toda.
Mas, pelos vistos, só a mim é que fazem brotoeja.
O senhorio está feliz porque, na estrita medida do seu interesse pessoalíssimo e particular, tem quem lhe pague a renda, que é a única coisa que lhe interessa.
O chinês está feliz e contente na sua condição de monopolista chico-esperto só de um olho em terra de cegos.
E o português?
O português... o português... para ele, é um pagode ir ao chinês!
1 bufadelas:
E infelizmente essa realida de vai para além de Grandola ... é uma realidade nacional. Em Lisboa o que se abre agora são mercearias de indianos com internet e venda de recuerdos à mistura, são os novos comerciantes de bairro, que procuram oportunidades que não vemos :-(
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