No país em crise, os aniversários das crianças não se comemoram em casa.
Falta espaço para tanta gente, falta tempo para compras, preparativos, cozinhados e limpezas-arrumações pós-festa e falta paciência, porque a vida já é o que é de 2ª a 6ª feira, quanto mais estragá-la ao fim de semana.
No país em crise cultivam-se novas formas de celebração de aniversários.
No país em crise, recorre-se a empresas de eventos ou de restauração, que tratam de tudo, desde a comidinha à animação (música, palhaços, pinturas faciais, figuras de desenhos animados, batalhas de paintball) passando pelos balões e gaitas, mais os presentinhos para todos os convidados, o bolo de aniversário, etc.
No país em crise, o sucesso destes eventos é de tal ordem que já há festas de aniversário às 10 da manhã, por falta de vaga no turno da tarde.
No país em crise proliferaram os negócios neste sector.
Estarão agora em crise?
6 bufadelas:
Quem está em crise faz no quintal quem não está aluga salas par eventos qual o drama?!
Sempre existiu crise agora dão-lhe é mais importancia para desculpar certas coisas!
Acredito que estas empresas não estão em crise. Há pessoas que podem até não ter dinheiro para comer com deve ser, mas para estes "eventos" lá se arranja. E estas empresas levam verdadeiras fortunas por duas horas em que os miúdos estão enfiados em insufláveis e por um lanche de pão de forma, batatas fritas e pipocas.
Infelizmente é a nossa realidade. Está na moda! E eu, que faço as festas dos meus filhos em casa, com a comida toda feita por mim e com jogos para os miúdos, para evitar as consolas e afins, devo ser bem criticada pelos outros pais. Calculo...
Envio email que me chegou.
Geração à Rasca! (uma outra versão... a mesma conclusão)
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- Então, foste à manifestação da geração à rasca?
- Sim, claro.
- Quais foram os teus motivos?
- Acabei o curso e não arranjo emprego.
- E tens respondido a anúncios?
- Na realidade, não. Até porque de verão não dá jeito: um gajo vai à praia, às esplanadas, as miúdas são giras e usam pouca roupa. Mas de inverno é uma chatice. Vê lá que ainda me sobra dinheiro da mesada que os meus pais me dão. Estou aborrecido.
- Bom, mas então por que não respondes a anúncios de emprego?
- Err...
- Certo. Mudando a agulha: felizmente não houve incidentes.
- É verdade, mas houve chatices.
- Então?
- Quando cheguei ao viaduto Duarte Pacheco já havia fila.
- Seguramente gente que ia para as Amoreiras.
- Nada disso. Jovens à rasca como eu. E gente menos jovem. Mas todos à rasca.
- Hum... E estacionaste onde? No parque Eduardo VII?
- Tás doido?! Um Audi TT cabrio dá muito nas vistas e aquela zona é manhosa. Não, tentei arranjar lugar no parque do Marquês. Mas estava cheio.
- Cheio de...?
- De carros de jovens à rasca como eu, claro. Que pergunta!
- E...?
- Estacionei no parque do El Corte Inglês. Pensei que se me despachasse cedo podia ir comprar umas coisinhas à loja Gourmet.
- E apanhaste o metro.
- Nada disso. Estava em cima da hora e eu gosto de ser pontual. Apanhei um táxi. Não sem alguma dificuldade, porque havia mais jovens à rasca atrasados.
- Ok. E chegaste à manif.
- Sim, e nem vais acreditar.
- Diz.
- Entrevistaram-me em directo para a televisão.
- Muito bom. O que disseste?
- Que era licenciado e estava no desemprego. Que estava farto de pagar para as reformas dos outros.
- Mas, se nunca trabalhaste, também não descontaste para a segurança social.
- Não? Pois... não sei.
- Deixa-me adivinhar: és licenciado em Estudos Marcianos.
- F***-se! És bruxo, tu?
- Palpite. E então, gritaste muito?
- Nada. Estive o tempo todo ao telemóvel com um amigo que estava na manif do Porto. E enquanto isso ia enviando mensagens para o Facebook e o Twitter pelo iPhone e o Blackberry.
- Mas isso não são aparelhinhos caros para quem está à rasca?
- São as armas da luta. A idade da pedra já lá vai.
- Bem visto.
- Quiriquiri-quiriquiri-qui! Quiriquiri-quiriquiri-qui!
- Calma, rapaz. Portanto despachaste-te cedo e ainda foste à loja Gourmet.
- Uma merda! A luta é alegria, de forma que continuámos a lutar Chiado acima, direitos ao Bairro Alto. Felizmente uma amiga, que é muito previdente, tinha reservado mesa.
- Agora os tascos do Bairro aceitam reservas?
- Chamas tasco ao Pap'Açorda?
- Errr... E comeram bem?
- Sim, sim. A luta é cansativa, requer energia. Mas o pior foi o vinho. Aquele cabernet sauvignon escorregava...
- Não me digas que foste conduzir nesse estado.
- Não. Ainda era cedo. Nunca ouviste dizer que a luta continua? E continuou em direcção ao Lux. Fomos de táxi. Quatro em cada um, porque é preciso poupar guito para o verão. Ah... a praia, as esplanadas, as miúdas giras e com pouca roupa...
- Já não vou ao Lux há algum tempo, mas com a crise deve estar meio morto, não?
- Qual quê! Estava à pinha. Muita malta à rasca.
- E daí foste para casa.
- Não. Apanhei um táxi para um hotel. Quatro estrelas, que a vida não está para luxos.
- Bom, és um jovem consciente. Como tinhas bebido e...
- Hã?! Tu passas-te! A verdade é que conheci uma camarada de luta e... bem... sabes como é.
- Resolveram fazer um plenário?
- Quê? Às vezes não te percebo.
- Costuma acontecer. E ficaram de ver-se?
- Ha! Ha! Ha! De ver-se, diz ele. Não estás a ver a cena. De manhã chegámos à conclusão que ela era bloquista e eu voto no Portas. Saiu porta fora. Acho que foi tomar o pequeno-almoço à Versailles.
- Tu tomaste o teu no hotel.
- Sim, mas mandei vir o room service, porque ainda estava meio ressacado.
- Depois pagaste e...
- A crédito, atenção. Com o cartão gold do Barclays.
- ... rumaste a casa.
- Sim, àquela hora a A5 não tinha trânsito. Já não havia malta à rasca a entupir o tráfego.
- Moras onde? Paço d'Arcos? Parede?
- Que horror! Não, não. Moro na Quinta da Marinha, numa casita modesta que os meus pais se vêem à rasca para pagar. Para a próxima levo-os comigo.
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O "IRÓNICO" das coisas é que a rede social "legal" faz hoje eco das manifs e diatribes de encapuçados falando à rasca e com distorção de voz, como se estivessem num país de ditadores, e como se de etarras se tratassem! Ao que chegámos!!!!!!
Pois, aniversários, a minha filha frequenta-os desde a creche,e aos 6 anos lá juntei 150 euros com limite máxino de 12 miudas e também teve a sua festinha. 1ª e última.
Agora com 8 já sabe que aniversários é levar o bolo para a escola e tá muito bom... melhor do que a mãe quando era pequena.
Enfim, é a vidinha, conhece-a mais cedo.
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